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Sobre acreditar em si mesmo, esquentar suas orelhas e burocracias estressantes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ao longo dos meus 35 anos conheci muitos tipos de pessoas, legais, chatas, jovens maduros, adultos imaturos, mas uma característica que sempre me chamou muito a atenção e na qual eu me
foco mais para deixar a pessoa fazer parte da minha vida ou não, é a soberba.
Pra mim, tanto as qualidades quanto os defeitos humanos se dividem em vários subtipos. Existem vários tipos de bondade, vários tipos de otimismo, pessimismo diferentes, assim como também existem vários tipos de soberba. E a soberba sobre a qual escrevo aqui não é financeira, não é étnica ou intelectual, não é aquele tipo de soberba que chega a atingir as pessoas ao seu redor, mas que prejudica a você mesmo, aquele tipo de soberba que faz você não reconhecer suas limitações.
É importante e faz parte de se cultivar a auto-estima, você acreditar em si mesmo, em suas capacidades, ter fé de que você não pode ser muito dependente de ninguém e lutar pelo que você deseja usando suas próprias forças e não pedindo a dos outros, sugando-os. Contudo uma das minhas muitas descobertas durante esse tempo em que estou vivo foi que realmente não se consegue nada sem ajuda. Por mais auto-suficiente e pró-ativo que você seja cedo ou tarde vai ter que pedir ajuda pra alguém, por algum motivo, porque independente de quem você seja e do quanto você saiba, é tão falho, tão limitado quanto eu ou qualquer outro ser humano e sempre vai haver alguma situação com a qual você não consiga lidar sozinho, uma perda, um desafio ou até mesmo ao buscar meios para atingir um objetivo pessoal.
Não consigo entender como algumas pessoas, na sua maioria homens, tem um medo terrível de pedir ajuda, de demonstrar que está fraco, que precisa de apoio. Às vezes essa necessidade está tão evidente na expressão da pessoa que só falta estar escrita na testa, mesmo assim tudo o que ela faz é forçar-se a demonstrar o contrário, seja se soltando demais, seja se fechando demais, concentrando-se em seus afazeres pessoais e fingindo que está lidando com seus problemas da forma mais ordeira possível. O que na verdade desgasta mais não é ser fraco, mas fingir usar uma força que na verdade no momento você não está conseguindo usar. Note que eu disse usar e não “ter”, pois a força que tanto buscamos para as coisas já está em nós, esperando pra ser usada. Precisamos estar cientes de que a ajuda que buscamos é apenas para que possamos usar nossa própria força e não a do outro.


O AnimeFriends desse ano já está com data marcada e quase tudo organizado e eu estou novamente bem propenso a ir. Fui ano passado e adorei a experiência, mas ir sozinho foi meio chato, nesse ano quero ver se meus primos ou pelo menos uma prima quer ir comigo, se os pais dela deixarem. A mãe dela é daquelas que acha que vão jogar um avião contra o evento, o ônibus vai explodir no meio do caminho ou coisa parecida, coisas normais de mãe de adolescente. Apesar de esse ano a excursão ter subido um bocadinho, não foi muito e ainda posso pagar, além do que pelo menos agora já sei mais ou menos quanto de dinheiro levar.
Ir no ano passado foi mesmo legal e o povo da caravana foi super simpático, mas o caso é que não sou do tipo que faz amizades em um dia, então realmente fiquei meio deslocado lá o dia todo. Ir com algum amigo ou parente realmente ajuda o dia a passar bem mais agradável, ainda mais quando a pessoa tem os mesmos gostos que você. Adoraria chamar dois amigos pra ir comigo, mas um está em Minas e o outro na Bahia, o que dificulta um tiquinho a locomoção, mas enfim, temos que ser felizes da maneira que dá, se você guarda alguém no coração a pessoa vai estar sempre junto com você.
Se eu realmente for, pretendo levar alguma grana pra trazer mais lembrancinhas (pra eu mesmo, óbvio), embora as coisas mais legais lá sejam as mais caras, estatuetas de 800 reais e por aí vai indo, mas pelo menos com mais uma camiseta eu volto. Ano passado voltei até com um gorrinho do Super Mario. É cafoninha, mas pra esquentar as orelhas é uma maravilha.


Embora nos últimos anos, com algumas coisas pelas quais passei com minha mãe, com amigos, com emprego eu tenha descoberto que tenho mais força do que pensava pra enfrentar o estresse, ainda fico bem desgastado com algumas coisas, principalmente problemas que envolvam burocracia e com os quais seja obrigado a lidar sozinho. Na época em que a Telefônica ficou dando problemas com o Speedy, como tudo está em meu nome eu tive que me virar do avesso pra resolver tudo, ir ao PROCON, ligar pra Anatel, discutir com a atendente ao telefone. Consegui resolver tudo com o passar do tempo, mas durante o processo me desgastei demais. Eu sou aquele tipo pacato, pacífico, que odeia brigar ou discutir por qualquer coisa. Durante toda a minha vida eu me acostumei tanto a ter minha mãe resolvendo tudo por mim, que hoje apesar de já fazer isso sozinho, é muito complicado, muito difícil e absurdamente cansativo.

Lidar com bancos é uma coisa relativamente nova pra mim. Nós aqui nunca tivemos conta corrente, cheques, cartões, juros, créditos, tudo isso para nós sempre foi coisa de gente rica. Pra mim, até uns anos atrás quem usava cheque, cartão de crédito ou tinha caderneta de poupança era milionário, nosso pouco dinheirinho sempre guardamos na carteira ou escondido no fundo das gavetas. Depois que comecei a trabalhar fui obrigado a abrir uma conta pra receber meu salário, ganhei meu primeiro cartão de débito e aprendi a usar, contudo continuei achando tudo muito grego, detestando toda essa burocracia e não entendendo nada, tudo o que faço é pagar as coisas com meu cartão de débito e mais nada.
Contudo essa semana tive uma grande dor de cabeça. O banco fez a gentileza de me mandar um cartão de crédito que eu não pedi. Foi tão educado que ainda por cima me mandou uma correspondência uns dias antes informando que meu cartão estava chegando conforme solicitado. Lindo isso. Quando foi numa quinta à tarde o meu cartão chegou, brilhante, embaladinho, em um envelope colorido cheio de panfletos coloridos me dizendo o quanto eu ia ser feliz com meu novo produto. Pois é, imaginem como eu fiquei, já que a conta é minha e quem precisa resolver essas coisas chatas agora sou eu. Pedi pro meu chefe me dar o dia de trabalho e perdi metade dele dentro do banco, conversando, debatendo, ficando em filas, até descobrir que esse cartão chegou para substituir um antigo que eu tinha, que servia pra fazer compras no supermercado. Bom, poderiam ter avisado isso com mais clareza e me poupado muita dor de cabeça. Consegui mais uma vez resolver meus próprios problemas, mas ainda odeio essa modernidade toda. Gostaria de viver no mundo do Senhor dos Anéis, onde se resolvia tudo por mágica ou algumas moedinhas.

Sobre o Autor:
Eduardo Montanari Eduardo Montanari é dono dos blogs Divagações Solitárias e Du-Montanari Design, além de pseudo-web-designer. É formado técnico em informática e sabe estourar pipoca sem deixar muitos piruás sobrando. Semi-nerd assumido (se é que isso existe), gosta de quadrinhos, anime, mangá, entre outras nerdices e esquisitices.


6 Divagações

  1. Cartão é coisa que tem vida própria e o pior: pra dar dor de cabeça mais que pra facilitar. E eu sei bem o que é isso. Mas quanto à sobrerba, está coberto de razão!

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  2. Oi Eduardo,

    Coincidência vc falar em soberba porque hoje mesmo lidei com uma pessoa com esse mal e usei essa palavra pra definir o caso. Mas a soberba que eu lidei é da financeira. Do tipo que a pessoa vive uma fantasia em que se acha riquíssima, arrogante e superior quando na verdade não tem nada, só dívidas e ainda fica tentando curtir com a cara dos outros. Eu detesto isso, mas ao mesmo tempo só consigo sentir pena de quem age assim. É como um câncer, uma doença sem cura, em fase terminal. Nada pode ser feito. Por isso dá pena. Eu consigo ver claramente na minha frente que a pessoa deve estar muito mal pra agir assim. Se eu pudesse, te contava o caso, mas não fica bem usar o seu espaço aqui.

    Poxa, eu adoro o super mario! Tem gente que acha que é pra criança, mas eu não acho. Esse ano passei boas horas com o "Mario Defender". Joguei até cansar.

    Quanto aos cartões, estou dispensando os meus. Estou tentando economizar e uma dica de economia é comprar as coisas usando dinheiro em vez de cartão. Com o cartão a gente não vê o dinheiro, então gasta mais. Quando a gente vê as notas nas mãos, a gente gasta menos.

    PS: Hoje eu ficaria horas falando sobre a soberba porque ainda estou com a história engasgada no meu pescoço.

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  3. Oi Eduardo,
    realmente, temos que lidar com a parte feia do ser humano... ces´t la vie... o que eu tento fazer é me manter íntegra. Já reparou como as pessoas têm vergonha de mostrar seu lado podre perto de quem elas admiram? Tudo bem que ser admirado é tarefa pra vida toda, mas eu estou encarando!
    Quanto ao cartão de crédito, ele pode até ser seu aliado, basta ter controle!
    Um abç!

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  4. Hei amigo, desculpe me pela demora de fazer comentários, sobre os teus pensamentos, e sentimentos neste blog, é que estive envolvido com um evento, muito legal, na área de sushi, nestes 4 dias, de onde pude agregar alguns, conhecimentos adicionais, aliás, conhecimentos, muito bem vindas, nos dias atuais.
    Sabe Eduardo , sobre as pessoas ter medo de pedir ajuda, as outras pessoas, para enfrentarem determinados desafios da vida, como você mencionou.
    Na verdade, não acho que seja medo, mas trata-se de um orgulho bobo, e muito infantil.
    Pois para pedirmos ajuda aos outros, quando descobrimos que não podemos lidar com determinados assuntos, temos primeiramente, que admitir certas fraquezas, e incapacidades pessoais, de lidar com determinadas situações.
    E também concordo contigo sobre existir vários tipos de ajudas, e tipos de pessoas, agente só precisa, saber escolher aquele, ou aquela que melhor se encaixe com as nossas necessidades, e perfil.
    Assim como tudo na vida, precisamos saber o que é melhor para nós, sempre!
    Quanto ir a algum lugar sozinho, prefiro mesmo, ir só, do que mal acompanhado, rsrsrssrs!
    Esta idéia pode parecer muito radical, mas é pura realidade, e quanto a você, que mencionou se sentir meio deslocado na sua primeira viagem, se sinta normal meu querido, qualquer marinheiro de primeira viagem , se sente deslocado, situação e sensação absolutamente normais.
    Acredito que, mesmo que vá sozinho novamente, não se sentirá tão deslocado quando na primeira viagem, a vida é assim, estranhamos tudo pela primeira vez.
    Quanto ao gorrinho do Mario, ele deve ser um “MUST” ADORO!
    Eduardo , sabe este lance, de ter que resolver os nossos problemas, ou ter que ser o homem da casa, e todas as responsabilidades cair em nossos ombros?
    Eu também passo por esta mesma situação, no entanto, não as encaro como problemas, apenas como obstáculos a serem superados.
    Então não fico pensando muito nelas, vou , faço, o que tem que ser feito, e aguardo.
    Pois aprendi que aqui no Brasil, não vale muito apena ficar discutindo, com determinados órgãos públicos, ou mesmo com a telefônica.
    Mas, de uma coisa, eu tenho certeza, temos que estar muito consciente dos nossos direitos , caso contrario, eles vão nos aborrecer muito mais, com suas “BURROCRACIAS”, que visam , a nossa perca e o ganho absoluto deles.
    Então aprendi que ficar pensando muito nos problemas, ou em seus resultados negativos, nos desgastamos muito mais, do que a própria correria para resolve-los.
    Sobre cartões, os bancos tem esta péssima mania de ficar mandando “produtos”, criados por eles, pra gente.
    Ter cartão não é sinônimo de riqueza, mas sim de pobreza, quer um exemplo?
    Eu uso cartão para comprar gáz, é porque tem vez que o butijão acaba justo no dia, que estou sem um níquel na carteira, e como o meu cartão vence em um determinado dia, depois do pagamento, ele acaba sendo conveniente, pois me quebra um galhão.
    O lado ruim de tudo isto é que os bancos, BURROCRATIZAM muitos os seus serviços, bem como os serviços dos seus produtos, e quem tem que ficar perdendo o dia no trabalho e coisa e tal, somos nós, ‘pobres mortais’!
    Seria mesmo muito maravilhoso, se tivéssemos poderes mágicos, para resolver todos os nossos problemas, mas ao mesmo tempo questiono, esta máxima, pois acho que cairíamos logo numa torturante rotina.
    Abraços, estimado amigo virtual, NAMASTÊTA!

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  5. Disse tudo! O cartão de crédito vem automático para conta corrente, se for conta poupança do BB, aí vem somente se solicitado. Mas não esquenta, eu recebi até uma apólice de seguro quando abri conta nova. Detalhe: nunca pedi uma. Tem funcionário desesperado para atingir metas. Quando a meta é um seguro ou "enviar" cartão, eles vão logo enviando. Depois a pessoa manda cancelar, mas ele cumpriu a meta e não corre o risco de perder o emprego, se for periodo de experiência. Depois disso, concursado é difícil perder o emprego, mas se não vender, não sobe nenhum degrau. Como sei? Hum... aqui em casa, somos de lá, do Banco. Mas já passou a época de enviar cartão. Rsrs... Abraço

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