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Sobre comer dinheiro e rasgar cocô, ovelhas psicologicamente instáveis e necessidade de definições urgentes.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Com todas essas coisas novas que estão acontecendo em minha vida e com algumas coisas que talvez venham a acontecer no ano que vem, cada dia mais tenho pensando em procurar ajuda psiquiátrica profissional para conseguir lidar com tudo. Tenho lido bastante sobre alguns tipos de transtornos mentais e identificado muitos pontos em minha personalidade que vem me preocupando cada dia mais. Tenho
lido muita coisa sobre distimia e estou convencido de que sofro desse mal, pois por mais que me aconteçam coisas boas, por mais que meus poucos amigos digam que me amam, que se importam comigo, que querem me ajudar, por mais que eu esteja bem profissionalmente e muito provavelmente vá sim cursar uma faculdade, continuo insatisfeito, nenhuma dessas coisas consegue me deixar feliz.
No domingo passado fui passear com uns amigos no Jardim Botânico da cidade, depois fomos a uma sorveteria e depois disso, ao shopping, comer no Mcdonalds e no Burger King. Foi um dia fantástico, como há tempos eu não passava. Fomos logo após o almoço e voltamos pra casa somente à noite, mas por mim poderíamos ter ficado mais, até de madrugada se fosse possível. Eu amo sair, amo passear, ainda mais na natureza e com pessoas que tem a ver comigo, o problema é ser obrigado a voltar para minha realidade depois, para minha casa, minha solidão, meus problemas pessoais e transtornos mentais, toda a alegria e o relaxamento que eu passei o dia sentindo se apagam automaticamente. Como eu disse na ultima postagem, me sinto uma vela apagada. Tudo tem servido pra mim apenas como uma mera distração, algo paliativo, de momento. Mesmo durante o passeio, comigo rindo, contando piadas, interagindo com os outros, me sinto muito melancólico, pois sei que assim como acontece num sonho bom, ao final a realidade dura e cruel me espera, serei obrigado a acordar e continuar fingindo para todos que não estou sofrendo tanto, que estou conseguindo lidar bem com meus problemas, quando na realidade não estou, sendo obrigado a fingir que não estou a ponto de surtar com tudo.


O meu problema em procurar um psiquiatra, minha relutância, não esta no preconceito, em achar que psicólogos ou psiquiatras são para gente louca, que come dinheiro ou rasga cocô, como muitos ignorantes pensam, mas sim porque eu acho que, se você vai se dar a esse trabalho, embarcar nessa jornada, deve buscar ajuda competente, especializada, um profissional da área realmente disposto a te escutar e analisar o seu caso, o que não ocorre, em minha opinião de merda, no serviço publico de saúde. Há alguns meses atrás eu fui até o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) daqui da cidade, onde minha mãe já faz tratamento para controle do Transtorno Bipolar há alguns anos, para passar pela análise de um psiquiatra e quiçá conseguir que ele receitasse alguma medicação eficaz para os males que me afligem.
Enquanto esperava minha vez, sentado em um dos sofás de sala de espera na recepção decorada com alguns quadros cafonas de vasos de flores e Pierrôs chorosos, não houve como deixar de observar os outros “pacientes” que assim como eu esperavam sua vez, todos para passarem pelo único especialista disponível no momento. Notei que a maioria das pessoas que esperavam eram bem humildes, dava pra perceber que algumas delas, não todas, eram oriundas das regiões mais pobres de Bauru. Notei também que boa parte dessas pessoas apresentavam transtornos aparentes de personalidade, algumas falavam sozinhas, outras pareciam desconfortáveis, nervosas, não paravam de andar pra lá e pra cá pela recepção, me senti muito mal com isso, um louco entre um bando de loucos, de alguma forma senti que estar ali, passar por aquela consulta, conversar com o psiquiatra, de nada ajudaria aquelas pessoas, me senti mais uma ovelha no meio de um rebanho de ovelhas confusas, esperando para serem guiadas por um pastor que as enxerga como nada mais que isso: pobres ovelhas irracionais e perdidas do rebanho da sociedade.


Quando finalmente a recepcionista chamou meu nome, gritando em alto e bom som pra todo mundo ouvir até do outro lado da rua, como se estivesse em uma feira livre, entrei tímido na sala e encontrei um homem gordo, mal encarado e calvo, sentado atrás de sua mesa anotando algo em seu caderninho, muito provavelmente informações sobre o ultimo paciente que acabara de sair de lá com uma cara desesperançosa. Sentei na cadeira, cumprimentei o medico, que me retribuiu de forma fria e perguntou o que me trazia ali, comecei então, gaguejando um pouco a contar superficialmente a ele sobre todos os meus problemas. Ele não me olhava nos olhos, enquanto me escutava continuou de cabeça baixa prestando atenção ao caderninho, vez ou outra levantando os olhos por alguns segundos, tentando demonstrar educação, sem sucesso. Falei por uns cinco minutos sem parar, mas o fato de perceber que ele parecia não estar nem aí pra mim, foi me desanimando. Numa conversa eu gosto de reciprocidade, seja com amigos, seja com médicos, seja com quem for. Odeio me sentir em um monólogo, falando sozinho pras paredes.
Apos me ouvir tudo o que ele disse, num tom cansado e de pouca paciência foi: “Você não precisa de um psiquiatra, só anda estressado, não vou lhe receitar medicação. Vá a um psicólogo regularmente, pratique esportes e vai ficar tudo bem”. Okey né? Se ele diz, quem sou eu pra discordar? Ele estudou sei lá quantos anos pra pegar um pedaço de papel que o deixa gabaritado para me analisar em cinco minutos sem nem olhar pra minha cara. Então, paciência.


O que eu sei é que preciso urgente me definir, em vários sentidos na verdade, porque do jeito que está não está dando mais. Preciso descobrir o que eu tenho, se é depressão, transtorno bipolar como a minha mãe, distimia ou simplesmente falta de um pouco mais de fibra e coragem pra encarar a minha vida como ela deve ser encarada. Na terça-feita passada perguntei à dois dos meus colegas de trabalho que estão se medicando, sobre o médico que eles estão indo e quais os procedimentos devo adotar para também me consultar com ele. Pelo que soube é particular, mas ele atende pela Unimed também e agora que eu sou beneficiado com isso, posso tentar alguma coisa. Vamos ver onde tudo isso vai parar né? Beijos no coração e nos genitais de todos!


Sobre o Autor:
Eduardo Montanari Eduardo Montanari é dono dos blogs Divagações Solitárias e Du-Montanari Design. É formado técnico em informática, trabalha como designer e diagramador. Nerd assumido, gosta de quadrinhos, anime, mangá, entre outras nerdices e esquisitices.



3 Divagações

  1. Acho uma ótima ideia vc passar no psiquiatra do seu plano de saúde. Por esse motivo eu não me trato: falta de grana. No SUS, desiste, sei que o tratamento seria parecido com o seu.

    Espero de verdade que vc consiga encontrar um bom tratamento.
    Abçs.

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    Respostas
    1. Pelo SUS já falei pra minha mãe: "Pode esquecer!"

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  2. Como já dizia Sun Tzu(general, estrategista e filósofo chinês):

    Conheces teu inimigo e conhece-te a ti mesmo; se tiveres cem combates a travar, cem vezes serás vitorioso. Se ignoras teu inimigo e conheces a ti mesmo, tuas chances de perder e de ganhar serão idênticas. Se ignoras ao mesmo tempo teu inimigo e a ti mesmo, só contarás teus combates por tuas derrotas.

    E esse é o elemento chave na vida de todo ser humano, conhecer a si mesmo e suas fraquezas, debilidades aquilo que o atrapalha.

    Embora as coisas ainda não tenham se encaixado por completo Edu, vc esta no caminho certo.

    Abraços

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