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Sobre irriquietos felinos, coisas que não te pertencem mais e importância relativa.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sabem essas pessoas que dizem que gostam mais dos animais do que dos chamados seres humanos? Pois é, eu sou um desses. Não que eu deteste as pessoas, eu simpatizo com elas, gosto de algumas e realmente amo uma ou outra (caso raro), mas é inegável que qualquer animal é para mim mil vezes melhor do que qualquer ser humano. Não vou dizer que daria a minha vida por algum deles, mas sou desses capaz de cair doente de preocupação ou tristeza, caso algo aconteça com algum animal de estimação pertencente a mim. 
Sempre tive cães e gatos, hoje tenho apenas duas gatas, Mel Liboa e Samanta Felippo, que são para mim, verdadeiros tesouros. Samanta, a mais velha, é a mais quieta, passa a maior parte do dia dormindo em algum canto, geralmente na poltrona da sala ou na cama de cima da beliche no quarto. Já Mel, meio siamesa, meio vira-lata, cega de um olho e completamente vesga do outro, bem mais jovem que a Samanta, é mais agitada, bem mais agitada na verdade. Daquele tipo de gato que gosta de sair passeando pelos quintais e telhados da vizinhança, dormir nos galhos das árvores e ficar fora de casa por horas e horas, atitudes que, em mim e em minha tia, que ama os animais bem mais do que eu e também os prefere à seres humanos, causam um mal estar geral. Todos os dias da semana, quando estou voltando pra casa a noite, depois de desembarcar do coletivo, tudo o que penso, tudo o que peço é que as quatro mulheres de minha vida estejam bem. Minha mãe, minha tia, Samanta Felippo e Mel Lisboa. 
Geralmente eu entro em casa e tudo está como deve estar: minha mãe dormindo na cama e minha tia deitada no sofá vendo TV, me esperando chegar, com Samanta e Mel deitadas em seu corpo. Aí eu posso ficar tranqüilo, ir tomar meu banho, me masturbar, jantar, ficar um pouco na World Wide Web e dormir sossegado. Contudo há algumas noites nas quais Mel nos dor de cabeça. Ela sai pra caçar por volta das 18h, as vezes até mais cedo e não volta. Chegam as 8h, 22h, 00h e nada dela aparecer. Tanto eu quanto minha tia entramos em crise, procurando pelo quintal com a lanterna do celular, chamando por ela e nada da filha da putinha aparecer. Já aconteceu de ela dormir ao relento por duas noites, pois foi ficando tarde, precisávamos dormir e ela não apareceu. No dia seguinte, quando acordamos, lá está ela na porta da cozinha, implorando para entrar e ir pra beliche se deitar. De minha parte, cada vez que isso acontece, cada vez que ela decide desaparecer por horas, chego a passar mal de nervoso. Dor de cabeça, queimação estomacal e tudo o mais. Filhos, pra que ter dor de cabeça tendo um, se você pode ter gatos, que são muito mais fofos e dão a mesma preocupação, se não mais, até?


Podem me chamar de ridículo se assim desejarem, pois eu mesmo estou me sentindo a pessoa mais imbecil da face da Terra, estou começando a cogitar a possibilidade de ser um idiota incurável em certos aspectos da minha personalidade.
Na última segunda-feira, passei o dia todo, de manhã até a noite, novamente numa depressão dos diabos por conta do meu recente (e isso aconteceu há meses já) rompimento. Estou tentando superar, fazendo o maior esforço para seguir em frente, juro, mas está sendo complicadíssimo para mim lidar com isso, algo pelo qual nunca passei antes, sentimentos tão intensos assim.
Como disse, sou um idiota ridículo. Tudo aconteceu simplesmente porque a criatura decidiu mudar a sua foto de perfil no Facebook e colocou uma na qual está a coisa mais linda do mundo (isso do meu ponto de vista, tá). Aí como sempre acontece, o fraco aqui ficou se derretendo todo, admirando, sonhando, lembrando do passado. Só que de repente você acorda pra realidade e se dá conta de que está perdendo seu tempo, que, como dizia aquela gorda do Zorra Total, "isso não te pertence mais", se é que algum dia te pertenceu. Você fica observando a foto da pessoa e se dando conta de que por mais que você ainda a queira, ela não te quer mais e que toda aquela beleza, interna e externa, tudo de bom que aquela pessoa representa pra você, tudo aquilo que você sonhou que um dia seria, não vai mais ser seu, nunca mais. Além do fato de você se dar conta também de que, algumas portas a pessoa fechou apenas para você, que ela continua aberta a novas possibilidades, novas descobertas, novas pessoas, percebe que agora você só tem direito à parte dela, enquanto outras pessoas podem ter o todo. E isso me humilha e me revolta, me faz sentir um lixo, me perguntar o que há de tão errado comigo a ponto de jamais ter uma segunda chance. Talvez isso seja um castigo, uma dessas lições que a vida nos dá. Tenho uma enorme dificuldade em perdoar as coisas que me fazem e talvez tudo o que houve, tenha acontecido para que eu aprenda a perdoar e siga em frente. Me pergunto se depois de quase 37 anos, eu ainda tenho chance de aprender o que é necessário.


Em meio a todo esse caos mental, eu continuo lutando para me manter em pé. Tenho a consciência de que, se eu me deixar abater, se eu cair, não vai haver ninguém para me reerguer e que ninguém pode fazer por mim as coisas que eu preciso e tenho a obrigação de fazer. Cuidar de minha mãe e minha tia, minhas duas gatas Samanta e Mel, trabalhar, estudar, pagar as contas. Se eu me deixar cair, tudo o mais cai junto comigo, portanto não posso me dar a esse luxo. 
Anos atrás, entre 2006 e 2008, quando eu ainda cursava o Colégio Técnico, minha mãe estava muito ruim psicologicamente, ainda não estava se medicando como faz hoje e tentou o suicídio por várias vezes. Uma dessas vezes foi durante a minha época de provas no Colégio. Não há necessidade em dizer que isso acabou comigo. Uma semana inteira de provas pela frente e a minha mãe num leito de hospital, depois de tentar se matar pela quarta ou quinta vez, creio eu. Óbvio que fui péssimo nas provas, entreguei quase todas em branco e ainda por cima tive que aturar alguns "amigos", me acusando de ser falso e desleixado, pois com tudo o que aconteceu, o meu humor mudou e minhas notas caíram.
Hoje, apesar de todas as dificuldades e de toda a angústia que ainda carrego dentro de mim, procuro continuar em pé, embora confesso, esteja sendo extremamente difícil. Estou novamente em época de provas, dessa vez na Universidade. Já fiz duas. Não as entreguei em branco, mas confesso que não estudei pra nenhuma delas, não consigo, tento me concentrar, tento me focar no que é realmente importante, mas minha cabeça se volta para minhas dores.
"O que é realmente importante". Deus, alguém pode realmente dizer o que é ou não importante? Isso é tão relativo. Ao mesmo tempo em que tudo é importante, nada parece ter verdadeira relevância. Obrigações, rotina, responsabilidades, coisas sem as quais não conseguimos viver hoje em dia, melhor, não conseguimos nos desvencilhar delas, mas ao mesmo tempo tudo parece tão banal diante de um monte de outros dilemas e dores que, embora sejam impalpáveis, muitas vezes chegam a causar dores físicas. Quando a sua mente e o seu espírito estão saturados, as dores de sua alma se tornam físicas e tentam sair de outro modo.

Sem um pingo de culpa, confesso que não estou me dedicando a certas coisas, não estou me esforçando. Não porque eu não as considere importantes ou necessárias, mas simplesmente porque eu não consigo administrar meu interior e meu exterior ao mesmo tempo. Sempre tenho que escolher entre um ou outro e sempre acabo optando pelo lado que mais me dói. No final das contas, de uma forma ou de outra eu vou sobreviver, sempre sobrevivo. Confuso, indeciso, machucado, mas vou seguindo adiante. A vida e as pessoas ao meu redor estão em constante mudança. Não faço a menor idéia do que eu quero ou pra onde estou indo, onde quero chegar, mas estranhamente não me sinto perdido.

Sobre o Autor:
Eduardo Montanari Eduardo Montanari é dono dos blogs Divagações Solitárias e Du-Montanari Design. É formado técnico em informática, trabalha como designer e diagramador. Nerd assumido, gosta de quadrinhos, anime, mangá, entre outras nerdices e esquisitices.



7 Divagações

  1. eu tenho três felinos: 1 gata que é mãe de um casal que acabou de fazer 2 anos. As fêmeas nunca me deram dor de cabeça, mesmo eu abrindo a porta da sala, elas saem mas permanecem no mesmo andar. Já Mickey, o macho, sai correndo pra fora. Às vezes ele fica do teto do térreo e às vezes sai pra rua. Ele já passou 1 dia fora de casa e eu chorei horrores pois ele saía, passeava na rua e voltava. Mas dessa vez ele demorou pra voltar, até porque na minha rua passa ônibus. Mas graças a D'us escutei ele miar na porta de madrugada e dei um abraço bem apertado nele e ai sim pude dormir tranquila.
    Você já castrou suas gatas?

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  2. Cara, adorei o nome das suas gatas. Foi algo assim instintivo, ou vc colocou esses nomes com algum propósito?

    Você não é ridículo não Edu, ninguém pode ser julgado pela forma como lida com seus sentimentos, pois ninguém é igual a ninguém, uns sofrem, outros esquecem, outros ignoram, ha aqueles que se vingam, tem os que matam ou que se matam, e ha aqueles que padecem quase que eternamente e assim caminha a humanidade, cada um ao seu modo de lidar com os sentimentos. Bom, acho que dentre estes vc não esta tão mal, pois sofre sem fazer mal a ninguém.

    Tenho certeza que é só mais uma da quelas fazes ruim que vc vai superar, vc é um guerreiro meu caro, força Edu.

    Abraços

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    1. Obrigado pelo apoio de sempre Marcos. Você estava sumido.

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  3. Sim Edu, andei meio sumido mesmo, é que eu estava de férias no Trabalho e normalmente é do trabalho que eu blogo ( se é que esse termo existe), como trabalho com um pc bem na minha frente, aproveito para blogar, pois em casa não tenho o mesmo tempo, e nem a mesma disponibilidade de quando estou no trabalho. Abraços, estou de volta :)

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  4. Cara, você é um achado, sabia? Pesquisando o Barão Von Richthofen, encontrei além de sua biografia ( a dele), referências sobre um filme a respeito de sua curta vida(dele), filme esse que teve a participação de Richard Bach, um dos apoiadores da filmagem, o que me levou a biografia dele(Richard) e aos seus livros, um deles, A PONTE PARA O SEMPRE, disponibilizado por você no internet. Foi assim que cheguei até você e ao seu blog e, cara, você é o cara!
    Vou dizer uma coisa que é legal de se saber e que alguém me disse uma vez: VOCÊ TEM QUE SE AMAR.
    Se você se visse de onde eu te vejo, comparando v. com os outros, você ia ver tantas razões para gostar de si mesmo que ia acabar ficando convencido, sabia?
    Ame-se e o mundo o amará.
    Boas Provas. O sucesso na vida virá de todo modo para você.
    Abraços

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    1. Primeiramente gostaria de agradecer pelo comentário. Gosto de pessoas assim, que lêem o que eu escrevo e comentam algo relevante a respeito. Mas eu gostaria que numa próxima vez você por favor se identificasse. Não tenho por norma publicar comentários de anônimos. Mas ainda assim agradeço o seu e achei interessante publicá-lo.

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Muito obrigado por comentar. Sendo contra ou a favor de minhas opiniões, as suas são muito interessantes para mim. Tenha certeza!