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Sobre simplicidade perdida, responsabilidades, obrigações e admitir fraqueza.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A vida da gente era muito mais fácil quando a única obrigação que tínhamos era ir pra escola e mais nada. Não precisávamos nos preocupar com salários, bons empregos, faculdade e o caralho a quatro. Não precisávamos nos preocupar em superar nossos limites, inflar nosso próprio ego e querer parecer vencedor aos olhos dos outros. Tudo o que tínhamos que fazer era acordar cedo, tomar nosso café, ir pra escola, voltar, fazer os deveres e pronto, simples assim. 


Sinto falta dessa simplicidade que sei, nunca mais vai voltar. Não gostei de crescer, me tornar adulto e me ver obrigado a ser uma pessoa que não quero ser, nem pros outros nem pra eu mesmo. Tudo o que faço, faço por obrigação e não por prazer. Faço porque me tornei adulto e os adultos embora pensem que tenham escolha e controlem suas vidas, estão enganados. Quantas vezes quando crianças já ouvimos dos nossos pais: "Aproveite agora, pois quando você crescer vai ter que fazer isso, vai ter que enfrentar aquilo." Pois é. Não consigo de forma alguma encarar isso com naturalidade. O que todos chamam de responsabilidade eu chamo de obrigatoriedade. Somos obrigados a ter uma boa faculdade, uma boa aparência. Somos obrigados a namorar, fazer sexo, sermos bons nisso. Deus! Como tudo isso me enoja. Me tornar o que estou sendo obrigado a me tornar me enoja. Por mais que achemos que tomamos nossas decisões por nós mesmos, não é assim. Sempre pensamos numa outra pessoa ou numa outra situação. Sempre pesamos nossas decisões não só tomando cuidado em como elas nos afetarão, mas também aos outros e a tudo ao nosso redor. 


Gostaria mesmo de sumir, conseguir ter forças pra me desapegar de tudo, de todos, dessa vida medíocre que todo mundo leva sem exceção. Quem acha que não é assim é porque se acomodou nisso tudo e crê que isso pode bastar. 
Cada vez que paro e penso nas coisas que tenho que fazer, trabalhar, estudar, me relacionar com as pessoas, um cansaço automático me toma. Os sons, os cheiros, as cores de tudo, estão se tornando cada dia mais insuportáveis. Meu cérebro simplesmente não está mais conseguindo dar conta da quantidade de informação que é obrigado a absorver. Outro dia fui numa casa lotérica pagar a conta de telefone e a fila estava longa. Enquanto eu aguardava a minha vez impaciente, os carros e motos passavam barulhentos, as pessoas conversavam, os pássaros piavam, as crianças gritavam. Eu simplesmente tive vontade de me agaichar no chão com as mãos nos ouvidos e começar a chorar. Um movimento que não cessa nunca. Pessoas indo e vindo, de todos os tamanhos, de todas as cores e credos. Luzes, placas, cartazes, números, eu simplesmente não aguento mais tudo issoQuanto mais você tenta fugir disso tudo, mais isso te persegue. Sempre existe algo para lembrá-lo de que você está preso e condenado a isso, a se tornar parte de um todo podre ao qual você não quer se juntar. 
As vezes eu saio pra caminhar e gostaria de ir andando, andando sem rumo, pegar a estrada a pé e desaparecer, mas pra onde quer que eu vá, levarei essa sensação comigo, esse sentimento de que não tenho pra onde fugir


Finalmente consegui fazer algo essa semana que não conseguia há muito tempo: chorar. Tá certo que não foi muito espontâneo nem suave, me aconteceu algo que estressou muito, muito mesmo e eu não consegui segurar mais tarde. Chorei pra minha prima, chorei depois pra um amigo. Teria até sido bom se depois do choro, por causa do nervoso o meu corpo todo não tivesse ficado dolorido. Eu sou esse tipo de pessoa cujo estado mental afeta o físico facilmente. Por sorte tenho uma caixinha cheia de sachês de chá calmante e isso tem me ajudado com as dores. 


Estou seriamente pensando em voltar a psicóloga. Eu ia até há um tempo atrás, mas a moça se enrrolou toda e não pode mais me atender. Confesso que está fazendo falta. Nos tempos em que eu fazia terapia me sentia menos psicótico e homicida. 
Nunca tive vergonha de admitir que vou à psicológos, embora grande parte das pessoas tenha um preconceito gigante sobre isso. Uma vez o irmão de um amigo meu ficou sabendo e disse na minha cara que, se tivesse que recorrer à um psicólogo para resolver os problemas dele, ele preferia se suicidar de uma vez. E adivinhem, recentemente a esposa dele veio me procurar pedindo informações sobre um bom psicóloigo tanto para ela quanto para ele. Depois dizem que a vida não é justa. 
A maioria das pessoas acha que se você vai a um psicólogo é porque é completamente pirado e já está comendo cocô e rasgando dinheiro. Tenho realmente muita pena de quem pensa dessa forma. A meu ver, hoje, todo mundo precisa de um psicólogo, do jeito que as coisas tem andado, só que é lógico, a maioria nunca vai admitir isso, pois admitir que precisa de ajuda é admitir fraqueza (isso no ponto de vista deles) e admitir fraqueza é admitir que vc não é homem o suficiente pra segurar a barra. Eu não consigo segurar a barra de um monte de coisas e não me considero menos homem por isso. 


Gozado como eu mudo o rumo do meu discurso assim, repentinamente. Mas assim sou eu, inconstante, instável, extremista
Comecei a baixar recentemente um anime (desenho japonês) muito legal. Antigo já, mas eu não havia assistido ainda, chamado Death Note. Sinceramente amei o enrredo, porque me identifiquei demais com o protagonista. É a história de um cara meio à parte do mundo, um tanto revoltado que um dia acha no colégio um caderno de anotações chamado Death Note e instruções de como usá-lo. As instruções dizem que a pessoa que tiver seu nome escrito naquele caderno, instantâneamente morrerá. Você ainda pode escolher o tipo de morte que quer que ela tenha, o que quer que você escreva acontecerá com a pessoa. Se você não especificar o tipo de morte que quer que ela tenha, ela morrerá de ataque cardíaco 40 segundos depois do nome escrito. Achei lindo isso e muito, muito tentador. Eu no caso teria uma lista quilométrica de nomes para escrever, com as mortes mais criativas que eu pudesse imaginar e ainda faltaria espaço. Ia ser muito, muito legal mesmo. Diversão garantida. Pois é, não existem mais desenhos inocentes com os de antigamente. De fato não existe mais inocência alguma em nada.




A excursão pro Animefriends 2010 tá aí e eu como sempre ainda pensando se vou ou não vou. O motivo da dúvida? Pura e simples covardia mesmo. Medo de viajar sozinho, medo de pegar o ônibus às 03:00h da madrugada, medo de conhecer pessoas novas. Isso acaba comigo, porque tudo o que eu preciso agora é conhecer gente que realmente tenha a ver comigo, não babacas que trocam a sua amizade pela primeira bucetinha que encontram pela frente ou que ficam estressados com o vestibular e te acusam de estar perseguindo eles. A maioria desse povo de caravana é nerd, encalhado e sabe quem é o Kakaroto. Eu estaria no meu ambiente natural. 
Bom, por hora é isso, vou-me indo. Sem mais. Abraços apertados e beijos ardentes a todos.


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6 Divagações

  1. Eitaaa que cê tá desbocado hoje kkkk

    Melhoras pro seu humor e assim que conseguir um tempo eu posto o tutorial que vc pedio hehehe

    bjuss(ardentes kkkk)

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  2. Edu bons tempos mesmo,aqueles de só termos obrigação com ir a escola e fazer deveres.Também estou precisando de terapia urgente.Vá na excursão do Animefriends 2010,pense no quanto isso é uma coisa que vc gosta de fazer,além de ser um ambiente que vc se sente confortável,e deixe o medo de lado um pouco.
    Gostei do visual novo do blog.
    Vi seu comentário lá no blog do Levi e fiquei muito feliz de saber que vc me acha legal,obrigada.
    Tenha um ótimo fim de semana.

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  3. Muito bom seu texto sobre as obrigações. Realmente é como vc descreveu, crescemos e perdemos toda a liberdade devido ás obrigações que nos sao impostas dia apos dia. A obrigação de um bom trabalho, de uma boa companhia, de bons estudos, de boa faculdade, bom emprego, isso td enche. Eu sempre digo parameu filho, para aproveitar o hoje pq amanha não se sabe.
    Gostei da forma sincera que escreve, belo texto.

    http://afiinidades.blogspot.com/
    Bjos Alessa

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  4. Gostei do novo visual!!!
    É a vida, querido Edu! Obrigações, compromissos, chatices, entre outras coisas! Mas também há o outro lado, como tudo na vida! Momentos bons, inesquecíveis etc etc. Não dá para levar tudo muito a sério. Apenas ir levando a vida ou deixando ela te levar!
    Fique bem, meu querido!
    Boa semana!
    Bjs, muitos!

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  5. Aprende agora para não ter que aprender na escola da vida. Era o que dizia minha mãe aos seus seis filhos, mas não estávamos interessados em aprender. Achávamos que a vida seria para sempre esse casulo quentinho e que a loura da propaganda da gillete jamais envelheceria... Assim começa da crônica Bendita Ilusão que publiquei no adestrador e assim diz o seu texto. Assim diz nossas almas quando tomamos consciência da vida. Seu blog está lindo!
    Parabéns!!1

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  6. Loura da propaganda da Gillete??? Quem?

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