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Sobre castelos, dividir atenção, sundaes trocados, batalhas perdidas e aceitação.

sábado, 17 de julho de 2010


Nesses últimos dois anos, desde que deixei o Colégio Técnico, tudo o que eu tenho feito para tentar me distrair, me divertir, tentar ser feliz tem sido meramente paliativo e na maior parte das vezes completamente em vão
Quando entrei no Colégio em 2006, fiquei tão animado com a possibilidade de novos horizontes, novas amizades, novas aventuras que infantilmente cheguei a compará-lo ao castelo de Hogwarts, a escola dos livros de Harry Potter dos quais sou fã. Ao contrário da maioria, eu não quis entrar no colégio por gostar de programação ou por querer melhorar o meu currículo, tudo o que eu pretendia era conseguir fazer novas amizades. Achei que num lugar tão grande e durante 3 anos seria impossível eu não sair de lá com muitos amigos ou na melhor das hipóteses, com uma namorada
Namorada não consegui, porque tenho uma total falta de auto-estima, me odeio, me acho feio, chato e desinteressante ao extremo. Sou aquele tipo que quer, mas não procura porque já sabe que nunca vai conseguir. É um pensamento derrotista sim, eu sei, mas penso dessa forma desde criança e isso ficou encrustrado em mim. Por mais que tente não pensar dessa forma, é infinitamente mais forte do que eu. Amigos eu consegui fazer, não muitos como eu queria, mas sempre fui uma pessoa que preferiu qualidade à quantidade. Nunca fiz questão de pertencer à grupos de amigos, aliás, sempre me senti desconfortável no meio de muitas pessoas, sempre gostei de dar minha atenção e o meu amor à uma pessoa só. 
Certa vez meu "amigo" Paulo Thiago me disse que não gostava muito também de grupos de amigos porque se sentia desconfortável em ser obrigado a dividir a atenção dele com várias pessoas ao mesmo tempo. Ele não conseguia dar a mesma atenção que queria a todos de uma vez e isso o deixava muito incomodado. No dia em que ele me disse isso eu fiquei um pouco confuso e até discordei dele, mas depois de um tempo vi que o meu caso era semelhante. Eu acho legal grupos de amigos, sair com a galera, rir, se divertir, se surgir a oportunidade eu não evito essa situação, mas não importa com quantas pessoas eu saia, sejam 50 ou apenas 5, sempre me sinto meio perdido no meio delas, sempre me sinto "apenas mais um" e essa sensação me incomoda muito. 
Vocês se lembram que na minha penúltima postagem eu disse que quero ser prioridade pra alguém e ponto final? Pois é, psicologicamente falando eu acho que isso vem do fato de eu ser filho único e sempre ter sido alvo da atenção exclusiva e superprotetora da minha mãe. Essa situação de ter sempre alguém focado em mim passou a fazer parte da minha vida, do meu cotidiano, o fato é que acho estranho e fico incomodado quando não há ninguém que queira voltar sua atenção unicamente para mim. Incomodado e irritado
Dito isso, sei que muitos agora vão dizer: "Bem Eduardo, já que você já sabe que o motivo é esse, então mude. Pra que continuar com isso se você sabe a causa do problema?" Como eu já disse antes, não é impossível mudar, mas também não é fácil. Na verdade entrar nessa discussão é pedir para ficar nisso por horas e horas e não chegar a consenso algúm. É como debater política, religião ou se as crianças devem ou não levar palmadas corretivas. Se saber a causa do seu problema ajudasse em algo, psicólogos e psiquiatras estariam desempregados e todos resolveriam seus problemas mais profundos simplesmente sentando e refletindo por um dia ou dois

O caso é que, descoberto o motivo (um dos muitos) eu estou tentando mudar, Deus e como estou, embora pareça que não. Acho que esse é uma das causas de eu estar sofrendo tanto atualmente. Lutar contra a depressão não é muito diferente de se lutar contra as drogas. As vezes quanto mais você tenta escalar a parede cheia de lodo, mais você escorrega de volta pro fundo, sobe dois metros e escorrega um. Eu disse depressão, mas no caso não é só isso, mas também uma vida inteira de condicionamento. Por isso fiz um comparativo com o uso de drogas. Quando você se droga, se vicia, aquilo acaba fazendo parte da sua vida e quando você tenta se livrar do vício paga o preço, pois seu organismo, sua mente, pedem por aquilo. A abstinência as vezes parece que vai acabar com você mais do que a própria droga. 
Pra quem está de fora e assiste o seu comportamento, você não passa de uma pessoa fraca, sem caráter e derrotista, um folgado que sabe qual é o seu problema e não o resolve simplesmente porque não quer, porque para você está bom assim. Acreditem, não está nada bom assim. Eu venderia a minha alma ao diabo sem pensar duas vezes se pudesse me livrar de tudo isso, ser como a maioria das pessoas são. 
Ainda nessa linha comparativa, estou numa abstinência ininterrupta há dois anos, desde que deixei o colégio. Ainda não fiz o estágio obrigatório para poder pegar meu diploma e talvez nem o faça. Como disse, sinceramente não entrei no colégio em busca de diploma ou qualificação profissional, apenas querendo uma companhia. Durante o tempo em que estive lá, consegui temporariamente o que queria, atenção, companhia, algumas vezes até um mínimo de exclusividade, mas o que acontece é que eu, condicionado, cedo ou tarde acabo pendendo sempre para o mesmo lado e não soube administrar tudo o que conquistei. 
As coisas nunca chegam até você da forma que você deseja ou espera. Isso é uma coisa que eu não descobri recentemente, mas faz muito tempo, mesmo assim eu sempre insisto em querer mudar coisas imutáveis e fazê-las adaptarem-se às minhas necessidades, nunca o contrário. Isso me lembra aquele trecho da música da Legião Urbana: "Quero um milhão de amigos, quero irmãos e irmãs. Deve de ser cisma minha, mas a única maneira ainda de imaginar a minha vida é vê-la como um musical dos anos 30. E no meio de uma depressão, te ver e ter beleza e fantasia"
Por uma cisma minha eu sempre espero que as coisas cheguem até mim da forma que eu almejo. Se isso não acontece eu fico meio sem saber como lidar com o que cai nas minhas mãos. É como pedir um Sundae de chocolate com uma cereja em cima e ao final lhe trazerem um de chocolate, mas com um morango em cima. Tá, dá até pra engolir de boa, mas fica aquela sensação de "porra, não foi isso que eu pedi"
Quando se deparam com alguém feito eu, muitos se questionam: "Droga, com tantos conselhos, tantos livros de auto-ajuda, já que ele sabe parte das causas de seus problemas, por que então não muda de uma vez? Ele é assim porque quer!" Todavia eu sou da opinião que é preciso ser mesmo muito imbecil para gostar de ficar numa situação que lhe cause tristeza e desconforto. Não sei se alguém está conseguindo captar o dilema, a batalha interna que travo comigo todos os dias, mas acreditem, os pecados que precisamos pagar pelos erros que cometemos não são cobrados no pós vida, mas aqui, agora, imediatamente. 

Então, como disse no começo, atualmente estou assim, não querendo deixar passar uma fase que já se foi e até mesmo apodreceu. Todos seguiram seus respectivos rumos, cuidando de suas vidas, estão realmente em outra agora. E talvez essa sensação que eu sempre comente aqui de "assunto inacabado" seja isso, algo que eu não quero deixar que vá embora, mas que já foi. Enquanto todos seguiram em frente, conscientes de que nossa vida é composta por ciclos finitos, sempre se renovando ao final de formas diferentes, eu fico querendo controlar o tempo e as coisas que acontecem dentro dele. Nada do que eu tenho feito me distraí, me diverte, me completa porque nada é da forma que eu queria que fosse. Ninguém gosta de mim da forma que eu queria que gostasse, por mais que digam que sim. Nada do que eu faço sai como eu queria e isso me deixa muito revoltado, com muito ódio, embora só pra variar, eu saiba que me sentir dessa forma não ajuda em nada, só piora tudo. 
Por mais que eu saiba que não vai sair mais suco da fruta que eu estou espremendo, insisto nisso na tentativa deseperada de ainda deixar cair pelo menos gotas que sejam em minha língua. Mesmo sabendo que nada seria exatamente como antes, mas pelo menos partes disso fico tentando manter. O que causa todo esse desespero é que sei o quanto estou lutando por uma causa já perdida há dois anos atrás e somente eu é que me recuso a aceitar isso. Aceitação, aceitação, aceitação. Essa é a palavra do dia.



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7 Divagações

  1. Cara, esse teu comentário foi incrível. Recentemente eu "namorei" um cara assim como você. Eu passei a gostar muito dele, nos víamos todos os dias, e de repente eu resolvi perguntar, depois de um mês, se éramos namorados. Ele fugiu dessa resposta por uma semana, até que eu disse que ele deveria pensar bem se queria uma garota extremamente sentimental e sensível e ele disse que não estava pronto para namorar comigo, pois não iria me corresponder. Isso não fechou com a forma que ele ia me tratando. Não sei se ele não se achou o suficiente pra mim, perdeu o interesse de uma hora pra outra ou simplesmente já carregava outro alguém em seu coração e apesar de tentar ser feliz comigo, não conseguiu.
    Era engraçado quando eu chamava ele de lindo ou dizia o quanto ele era especial, eu sentia que ele não acreditava. E como apesar de ser tão carinhoso e atencioso, muito gentil também, ele conseguia ser um tanto superficial em suas ações a ponto de responder a um "eu te adoro" com um "obrigado".
    A tua frase "Sou aquele tipo que quer, mas não procura porque já sabe que nunca vai conseguir" me lembrou muito ele. Porque ele é, claramente, uma pessoa que não deixou o passado ir. Eu fui um tempo assim também, mas sabe, bom são apenas lembranças, viver de passado só faz mal, ainda mais quando há tanta vida pra viver!

    Quanto ao meu quase namorado, nunca mais nos vimos desde que ele disse que não estava pronto, e a minha dúvida eterna será se não estava mesmo, mas é bom não viver disso. Até porque aqui fora tem alguém que está pronto. E vale a pena viver dessa nova realidade e não de uma que já foi, (in)felizmente.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ola amigo Edu, como vai

    Cara eu num vejo nada de anormal ou problematico
    em tudo que vc postou aqui, mais a questão do PALIATIVO que vc diz, eu acho que isso é mais questão de ponto de vista. Eu explico.

    Você chama de paliativo, eu chamo de oportunidades, outros chamam de novos horizontes, novas chances etc, etc, e etc...

    Em fim cada um ve da sua forma, mais vc para pra analizar a vida se resume basicamente nisso.

    é apartir de situações como estas que vc chama de paliativo, é que construimos nossa história,
    na escola, no curso, na faculdade, nas festas e por ai vai, é assim que fasemos as amizades, que conhecemos a namorada, que conseguimos emprego em fim, não importa qual o motivo que te tenha levado a quela determinada citução, o fundo de tudo é um só, convivencia, satisfação, realização, é isso que todos procuram.

    claro que uns com mais exito que outros.
    mais a intenção é a mesma
    concluindo, PALIATIVO ou não, são dessas cituações que construimos nossa história,
    o que temos que fazer é saber tirar o melhor proveito de cada cituação, se não deu nessa, tentamos em outras. vou explicar melhor mais abaixo.

    Logo, logo eu eu explico sobre tirar o melhor proveito de cada cituação, pra chegar la eu preciso começar desse ponto.
    Bom, vc fala sobre tentar mudar, de como é difícil, que vc não quer ser o que é, Cara eu entendo perfeitamente tudo que vc diz, realmente mudar o que vc é é uma tarefa quase impossível, eu disse quase, bom, vc mesmo ja reconheceu isso.

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  4. parte 2 continua

    Eu sempre sofri com o mesmo problema, as coisas que eu comento aqui no seu blog, são coisas que eu vivo, que eu faço, experiências que ja tive, derrepente vc pode tirar proveito de alguma coisa, mais quero deixar claro de que tudo que venho comentando em seu blog não tirei de livro nenhum, nem me foi encinado, eu aprendi a duras penas, levando na cara mesmo.

    Eu também sempre tive problemas de relacionamentos, sempre fui tímido, retraido, sempre tive dificuldade de me relacionar com as pessoas, sempre tive muito medo de tomar decisões, de ariscar, de tendar coisas novas, e sempre me martirisei com o fato de ter que mudar, já chorei muito por me achar incapaz, debilitado, e sempre tentei mudar isso, confesso a vc que até hoje não consegui.

    e por causa disso eu perdi chances maravilhosas, que tive nesses momentos que vc chama de paliativo, tudo por que tive medo, fui tímido de mais, não consegui falar oque tinha que ser dito, fazer o que tinha que ser feito, e hoje sou frustrado em relação a isso.

    Agora eu vou chegar no que disse la em cima, sobre( tirar o melhor proveito de cada cituação )

    Bom, depois de ver que eu perdia muito, e não conseguia mudar, eu percebi que seu eu não fisesse algo a respeito nada iria acontecer, entãocontinuei a ser o que sempre fui, mais mudei minha postura em momentos chaves, ou PALIATIVOS chaves, como queira, sabe aquelas cituações decivas, tipo... aquele momento que vc pode consegui aquela garota, fazer aquela amizade que vc espera, consegui aquele emprego em fim, eu mudei o meu comportamento nesses momentos, e tudo que precisei foi de coragem, pq parece que o que nos trava é o MEDO, sei la é alguma coisa psicologica que parece que esta plantada na nossa cebeça sabe.

    então toda vez que eu vejo que estou em uma cituação que me parece promiçora para conseguir algo, eu engulo seco, me encho que coragem e faço
    o que tem que ser feito, se vejo que é uma boa oportunidade de fazer amigos eu vo la, puxo assunto, falo me comunico, se eu via que era uma boa chence de conseguir uma namorado, se via que tinha condições, mais uma vez, eu emgolia seco, suava igual um pangaré relmatico rsrs, me tremia todo, me enchia de coragem e ia.

    eu continuo sendo o que sou, mais mudei minha postura em determinadas cituações ou PALIATIVOS.

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  5. parte 3 fim

    tudo pq vi, que eu estava perdendo muito, e nunca conseguia mudar, parei de tentar me adaptar, as coisas as pessoas, então sempre que vejo que algo se encaixa a mim, é essa a minha postura, é isso que falo sobre tirar o melhor proveito de cada cituação.

    se vejo que tem alguem com as mesmas ideias que eu, mesma linha de pensamento, ja chego ja puxo um assunto e da certo, sevejo que não é a minha praia, que não da pra mim, nem me movo.

    Bom enquanto eu não mudo é isso que faço, suando frio, tremendo, nervoso, mais eu vou, com a cara e a coragem, se num dé num deu, parto pra outra,
    se não se encaixa a mim eu nem tento, ou então saio fora, quem sabe um dia eu consigo me mudar, bom, até hoje eu não conseguir, então num da pra ficar esperando, enquanto a vida passa diante dos meus olhos.

    em quanto a vc querer prioridade,num vejo nada de errado nisso, se vc encontra alguém que de essa prioridade engula seco e vai meu amigo.
    o que não da é vc exigir de quem não pode te dar, vc só vai se magoar, procure quem pense da mesma forma que vc, eu vi ai no seu comentario uma loirinha que pensa como vc, não estou dizendo que vc deva namorar com ela rs, mais acho que seria uma boa amizade, mesma linha de pensamento, é disso que estou falando.

    amigo depois eu vou ler o post da sua viagem
    e comentar agora ta meio ruim de tempo
    grande abraço, espero que eu tenha ajudado em alguma coisa de tudo que disse.

    desculp por esse texto todo rsrs

    grande abraço

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  6. Marcos
    Não há necessidade de se desculpar pelo texto longo. Adooooro respostas longas e inteligentes. Só acho que você poderia escrever tudo num comentário só, acho que cabe, não sei se tem limites de caracteres.
    Mas eu gostei muito do que vc escreveu e vou procurar tomar vc como exemplo. Um grandioso abraço.

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  7. Eduardo
    Sempre me identifico com os seus posts, senão no todo, pelo menos em algumas partes. Já me senti ferida exposta tantas vezes, outras casulo. Acho que é o preço que pagamos por nossas reflexões. Tantas vezes quis viver na superfície, tão mais fácil. Mas chega o momento em que aprendemos ou pelo menos encontramos uma maneira mais confortável de ser, estar, querer e vamos com tudo. Pode estar certo.
    Bjs

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