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Sobre defecar nas vestes por medo e a nossa vida videogame.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fiquei pensando em várias formas de como começar a escrever a postagem de hoje, mas o caso é que não há outra forma de começar meu texto a não ser contando logo a melhor novidade da minha semana: consegui um novo emprego, começo no dia 04 de junho.
Há várias semanas atrás eu respondi a um anúncio no jornal que pedia um Auxiliar Administrativo, um portador de deficiência, para uma renomada faculdade aqui da cidade. Como quem é pobre e não tem curso superior não está em condições de ficar escolhendo onde quer trabalhar, dei tiros para todos os lados e essa faculdade foi um dos meus alvos. O tempo passou, não obtive resposta e cheguei a pensar que havia errado mais um alvo, contudo, mais ou menos há umas três semanas atrás, recebi um telefonema me convocando para um entrevista nessa faculdade. Fiquei bastante empolgado e fui ver do que se tratava, fui eu e mais quatro pessoas. Fiz a entrevista e voltei pra casa torcendo para ser chamado novamente para uma segunda análise, mas os dias foram passando e nada aconteceu. Na semana retrasada então recebi um telefonema me pedindo para ir fazer um exame oftalmológico e mais recentemente, há uns dias atrás recebi outro me pedindo para fazer um exame clínico. Para minha surpresa, fiquei sabendo ao final do segundo exame que esse já era admissional
Na quarta-feira então fui chamado para fazer um teste. Lógico que fiquei defecando nas vestes tamanho era o meu pavor, mas mesmo assim engoli em seco e fui cumprir meu destino. Chegando lá, qual foi a minha surpresa quando descobri que o teste era nada mais nada menos para a área que mais amo: design, Photoshop, web-design. Me deram um checklist e duas horas para que eu desenvolvesse em Adobe Photoshop, um cartaz A3 para a feira de informática da faculdade e a tela inicial do Hot site do evento. Se fiquei com medo, inseguro, me mijando todo? Sim! Se pensei que não ia conseguir e ia passar o maior carão da minha vida? Sim! Fiquei lá fazendo o que me pediram, suando frio e imaginando minha iminente desclassificação para a vaga, usei todas as minhas duas horas e ao final pedi para chamarem o meu carrasco. Ele pegou o material que eu desenvolvi e me levou até a sala de espera do RH para esperar o veredito dos encarregados. A moça que me aplicou o teste entrou na sala e foi falar com uma pessoa. De onde eu estava, pude ouvir ela conversando:

“_Oi Patrícia, tudo bom? Então, nós acabamos de analisar o teste do Eduardo e ele foi muito bem!”

Depois de ouvir as palavras “muito bem”, sinceramente fiquei meio abobalhado, pois tinha certeza que tinha ido péssimo no teste. As duas então foram até onde eu estava, me cumprimentaram e disseram que meu teste foi excelente, tão bom na verdade que superou o material original que eles já tinham lá. Resumo da ópera: a vaga é minha e começo na próxima segunda-feira, no dia 04.
Se fosse há alguns anos atrás eu estaria em cólicas provocadas pela ansiedade de começar em um novo emprego. “Será que vou me dar bem lá? Será que vou me adaptar, será que vão gostar de mim? E se eu não conseguir?”. Dúvidas, dúvidas e suposições povoando a minha mente sem cessar. Não vou lhes dizer que não estou sentindo isso agora, só que estranhamente, em um grau bem menor, na verdade quase não estou incomodado. Estou surpreso comigo mesmo e isso me fez ver que às vezes temos uma vida tão corrida, tão atribulada, que passamos por mudanças psicológicas das quais nem nós damos conta. É preciso acontecer algo que normalmente te provocaria medo ou pânico, para você perceber que algo está diferente em você. E olha que eu geralmente estou sempre de olho em mim e no meu comportamento, nas mudanças que acontecem na minha vida e na minha mente, mas dessa vez só pude perceber que estou conseguindo suportar melhor certas coisas, deixar outras de lado, depois de passar por essa experiência, esse teste no qual me foi cobrado inclusive controle da ansiedade, já que me deram somente duas horas pra fazer um trabalho que eles mesmos sabem, demora-se mais tempo.
Eu costumo dizer que a vida não é uma coisa linear. Pra mim, é mais ou menos como um jogo de videogame, onde você tem que passar de fase e matar os chefões a todo o momento. E conforme você vai avançando de nível, a dificuldade vai aumentando gradativamente, mas também, assim como nos games, você vai adquirindo novas experiências, ficando mais forte, mais resistente e apto para enfrentar os futuros desafios.
Porra! Filosofia nerd barata agora heim? Bom, mas é uma comparação bem legal. E dito tudo o que eu tinha pra dizer por hoje amiguinhos, encerro por aqui. E ah sim, a quem interessar possa, estou querendo comemorar meu novo emprego. Alguém por favor me ligue para tomarmos uma e comermos porções.

Eduardo Montanari Sobre o Autor:
Eduardo Montanari é dono dos blogs Divagações Solitárias e Du-Montanari Design. É formado técnico em informática e no momento está desempregado e um pouco deprimido. Nerd assumido, gosta de quadrinhos, anime, mangá, entre outras nerdices e esquisitices.


6 Divagações

  1. Muito bom Eduardo. Estou muito feliz por você. Parabéns.

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  2. Primeiro achei graça de você (desculpe, mas você sempre me provoca bom humor em pelo menos algum ponto de seus escritos,acho que é por isso que gostei imediatamente de vir aqui).
    Mas como ia dizendo, primeiro achei graça, você me fez lembrar um dos meus filhos, que define praticamente tudo na vida dele do ponto de vista das 'nerdices' dele, games, livros, etc;
    Mas pensando melhor, você descreve a coisa muito bem. Amadurecer, ou envelhecer é isso mesmo.
    Ir passando de fases, tendo que matar um chefão atrás do outro, graus de dificuldade sempre aumentando, em contrapartida, ganho de experiência, de vivência.
    E meus parabéns de verdade. Estive espreitando algum post seu com boas notícias e elas vieram.

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    1. Espero ter mais boas notícias nas próximas postagens.

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  3. Que bacana! Parabéns e muita sorte, vc vai arrasar no novo emprego!!

    Sobre esse negócio de vida e vídeo game, acho que é assim mesmo, mas no meu caso, a vilã contra a qual eu luto sou eu mesma, minha parte mais escura. Mas vamos lutando, uma fase por vez, pra ansiedade não tomar conta.

    Estou muito feliz por vc! Abraços.

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  4. Olá, Eduardo!
    Parabéns, você merece!!!!!!!
    Abçs!
    Rike.

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