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Resenha - ALIEN: SURGIDO DAS SOMBRAS

sábado, 17 de dezembro de 2016

Ripley fechou os olhos e uma onda de lembranças a invadiu — o planeta, Kane, o nascimento do alien, o seu rápido crescimento, então o terror e a perda da Nostromo antes de escapar na nave auxiliar.
O confronto final com o demônio. As memórias a chocaram com sua violência, seu imediatismo. Era como se o passado fosse mais real do que o presente.
— Eu estava em uma nave rebocadora — disse ela — A equipe morreu em um acidente, o núcleo da nave entrou em colapso, fui a única sobrevivente.
— Nostromo — comentou Hoop.
— Como você sabe?
— Acessei o computador de bordo da sua nave. Lembro-me de ter lido sobre ela quando era criança. Ela foi parar no arquivo de "naves que desapareceram sem deixar rastros".
Ripley virou-se.
— Por quanto tempo eu fiquei lá fora?
Ripley já sabia que a resposta seria difícil. Já havia notado isso na reação de Garcia, e viu novamente, agora em Hoop.
— Trinta e sete anos.


ATENÇÃO! O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DO LIVRO.

E finalmente, no meu segundo dia de férias consegui tempo o bastante para terminar a leitura da minha mais recente aquisição literária: Alien: Surgido das Sombras, escrito por Tim Lebbon e a primeira parte de uma trilogia que está sendo publicada no Brasil pela Editora Leya, um selo do Omelete Books.


Assim como já fazem há alguns anos os livros da saga Star Wars, essa trilogia expande oficialmente o universo de Alien, sendo canônica aos filmes de cinema. Essa primeira parte, "surgido das sombras", se passa entre o primeiro filme (Alien, o 8º passageiro) e o segundo da franquia (Aliens, o resgate), detalhe que me deixou bastante curioso e instigado para ler, pois quem conhece e é fã da saga, sabe que Ripley ficou vagando adormecida à deriva no espaço por 57 anos, até ser resgatada no começo do segundo filme. Então assim que descobri os livros acidentalmente, navegando pela internet, eu fiquei me roendo por dentro para descobrir como é que essa história, nunca contada até então, preencheria essa lacuna. Como a Tenente Ripley poderia enfrentar mais uma vez os Aliens no livro sem que isso tenha sido citado em nenhum dos filmes? Como um apaixonado pelos filmes eu tinha que saber.
Terminei o livro hoje com duas fortes sensações misturadas, se é que isso é possível: muita satisfação por ter conseguido terminar um livro inteiro (amo ler, mas ando sem paciência nos últimos anos) e também por se tratar de uma história de Aliens, que adoro, mas também um pouco decepcionado, pois percebi depois que terminei que, sim, a história do livro consegue se encaixar nos filmes de cinema sem provocar alterações na cronologia, mas vi que isso foi forçado, desnecessário. A trama é bacana, Ellen Ripley é o coração da saga Alien, mas senti que serviu para esticar algo que não tinha necessidade de ser esticado ou explicado.
Nesse livro, a nave auxiliar na qual Ripley hibernava acabou indo em direção a Marion, uma nave mineradora que estava em missão próxima ao planeta LV178. Após atracar na Marion, Ripley foi resgatada pela tripulação, que bem naquele momento enfrentava um grave problema. Uma das naves auxiliares da Marion voltou sem controle de LV178 e se chocou com a nave de mineração causando danos catastróficos. O pior é que ela trouxe consigo os tripulantes mortos e bizarras criaturas assassinas.


Agora, a tripulação restante da Marion, com a ajuda de Ripley precisam fugir o quanto antes. Para isso estabelecem um plano ousado: Descer até as minas do planeta LV178 em busca de células de combustível para poderem abastecer uma nave de fuga e tentar a sorte no espaço profundo, por tempo indeterminado. Mas o que eles podem encontrar nas catacumbas escuras das minas é algo incompreensível e aterrador que pode custar a vida de todos. Uma missão suicida.
A história é bem bacana e remete bem ao clima de suspense e terror do primeiro filme, descrevendo momentos tensos em ambientes claustrofóbicos e escuros. É impossível ler e não imaginar a atriz Sigourney Weaver, que interpreta Ripley nos filmes. A personalidade da personagem descrita nas páginas é bem fiel. A cada capítulo eu ficava mais curioso em saber como a aventura terminaria e se ligaria com o segundo filme, afinal algumas coisas não batiam. Ripley só conheceu a rainha Alien no final de Aliens, o resgate, mas nesse livro ela acaba também enfrentando o monstro. Se a história é anterior ao filme, não podia fazer sentido. A solução para isso e o que me deixou bastante descontente foi a mais piegas e clichê possível: "Vamos fazer ela viver essa incrível aventura, os fãs vão adorar, vamos vender o livro e depois simplesmente dizemos que a memória de Ripley foi apagada". Sim. Depois de mais de 280 páginas de uma história até bem interessante, simplesmente ela volta a hibernar sem as memórias da aventura que acabou de viver. Prático, simples e não interfere na cronologia dos filmes. Por um lado é bom, pois justamente, como disse, não mexe com a trama do cinema, mas por outro ofende a inteligência de leitores um pouco mais exigentes, que gostariam de uma solução mais criativa. Embora desde o começo do livro eu já desconfiasse que fossem usar essa artimanha, pois das duas, uma: ou eles acabariam fazendo algo que não batesse com os filmes ou fariam tudo ser um sonho ou fariam Ripley perder a memória. Dito e feito. 




Apesar desse inconveniente a história vale muito a pena se você é fã da saga e eu não vou mentir, vou comprar os outros dois livros da trilogia e ver onde isso vai terminar. Já que dizem fazer parte da história oficial, que seja, aceito isso. Preferi muito mais a novelização do primeiro filme, sobre a qual resenhei aqui algumas postagens atrás. Ela é como se fosse a versão estendida do primeiro longa, muito detalhada e julguei que consegue capturar melhor o clima da saga, quando descrito somente em texto. Pelo menos para esse primeiro voluma dou uma nota 7 de 10. Vejamos os próximos dois.





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