terça-feira, 29 de setembro de 2009

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O amor é o ridículo da vida.





Dores, dores, oh dores que me tomam o sossego.


Finalmente depois de mais de 20 anos finalmente tive condições de colocar um aparelho ortodôntico. Isso se tornou meu sonho, desde que meus últimos dentes nasceram... tortos. Acreditem, esse tipo de coisa mina pra caralho a auto-estima de qualquer um. Não poder dar um sorriso legal é mesmo deprimente.




Agora vem um longo processo pela frente. Aperta daqui, estica dali, passa-fio, escova bitufo, bochechos com Listerine e dores, muitas dores até finalmente chegar o dia da minha cirurgia de mandíbula. Mas nesse ínterim, não vou me fazer tão de coitado porque com certeza Jesus deve ter sofrido muito mais na cruz do que eu com esse aparelho. Pensar nisso é uma forma bizarra de consolo, mas fazer o que? É um consolo.




Nos meus dias mais doloridos o que me ajuda também é visualizar o sorriso irritantemente perfeito do Ricardo e aquela cara de mamão macho que minha tia disse que ele tem e botar na cabeça que, mais dia menos dia vou poder sorrir igual. Pois é, a inveja e a dor de cotovelo além de terem seus benefícios, também são ótimos mecanismos impulsionadores, no final das contas.


Bom, dores à parte, tanto a da boca quanto a do cotovelo, tratemos do assunto do meu post de hoje: As ridículas alianças de compromisso para namorados.


Eu, embora não pareça sou romântico, no fundo quero o que todo mundo quer: Uma esposa fiel, filhos, cachorro, uma casinha de cerquinha branca, alianças douradas nos dedos e um casamento na igreja com tudo o que eu tiver direito e mais um pouco. Mas, enquanto nada disso vem, vou destilando meu veneno com um mórbido prazer maldoso.




Não sou contra alianças. É uma tradição sei lá, desde que o mundo é mundo. Tem uma simbologia bonitinha, passa uma idéia de união, compromisso firmado entre outras coisas mais. Confesso que troca de alianças num altar de igreja é uma coisa que realmente me emociona.




Entretanto, para os que ainda não me conhecem, eu sou uma pessoa muito sistemática, acho que cada coisa tem a sua utilidade, sua razão e acima de tudo seu tempo certo.


Aliança para mim tem sua razão de ser em dedos de noivos e casais casados.




Se depois de muito tempo você já namorou bastante, tem a certeza de que aquela é a pessoa da sua vida e decide se casar (obviamente noivar antes), aí sim é bacana, é romântico, é tradicional vocês passarem a usar uma aliança de noivado e futuramente, alianças de casamento.




Agora, hoje em dia, assim como o amor, assim como o sexo, como o verdadeiro compromisso, o uso de alianças foi banalizado pra caralho.




Não é segredo pra ninguém que eu odeio casais jovens de namorados, principalmente os muito românticos e sonhadores. Odeio o jeito como eles “acham” que se amam verdadeiramente e eternamente. Acho ridículo o jeito como eles batem no peito e anunciam aos 4 ventos a sua felicidade, para depois, na primeira desavença boba já falarem em terminar tudo.


Certa vez estava conversando com um amigo que já namora há 2 anos. Ele é um desses garotos jovens, iludidos e românticos. Daqueles que ficam deixando recadinhos melosos pra namorada no Orkut e colocando frases de amor eterno no MSN.


Disse ele que a namorada tem planos de seguir a carreira militar. E caso ela vá mesmo fazer isso, teria que se mudar de cidade por um tempo. Ela perguntou a ele se ele a esperaria por um ano, até ela concluir o que terá que fazer e então voltar. De acordo com o que ele mesmo me disse, ele pensou um pouco e já disse que não.


Oras! Ué? Eles não se amam tanto, não vivem declarando amor eterno um para o outro e para o mundo? Não estão dividindo suas douradas alianças de compromisso? Como então uma coisa tão pequena como um ano de espera pode terminar assim com tamanho amor? Eu juro que quando ele me disse isso, fiquei com vontade de gargalhar na cara dele.


Com apenas 4, 5 meses de namoro esses jovens casaizinhos de namorados já estão trocando suas alianças. Vão juntinhos na loja, as escolhem, mandam gravar seus nomes nelas. Pra que? A vida é tão incerta. Ainda mais quando se é tão jovem. Fazem tanta coisa, juram tanto amor, pra uma coisa que nem sabem se pode durar ou não. O mais ridículo de tudo é que eles fazem tudo isso, assumem todo esse compromisso, trocam alianças para depois, se terminarem, alguns meses depois estarem com um novo amor. Ou seja, fútil, banal, sem propósito.





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

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Para o alto e avante!



No último dia 25 de setembro, depois de meses de espera finalmente teve início a 9ª e quem sabe, última temporada de Smallville.



Pra quem não conhece a série, ela mostra como foi a adolescência do maior herói dos quadrinhos de todos os tempos, Super Homem (ou Superman, como ele deve ser chamado agora, aqui no Brasil).


A série é boa, se bem que eu como nerd e fã de quadrinhos de super heróis sou suspeito pra comentar. Mas como nada é perfeito ele vem desagradando muitos ao longo desses 9 anos de produção. Espera-se que na sua reta final ela finalmente mostre a que veio, com Clark finalmente assumindo seu manto de Superman e fazendo seu tão esperado 1º vôo, coisas que até agora não aconteceram.

A série começou bem, mostrando um Clark Kent ingênuo, confuso com a descoberta de suas habilidades alienígenas e alheio à sua herança Kryptoniana. Foi melhorando na medida em que o jovem ia descobrindo aos poucos os mistérios que o envolviam e os motivos de sua chegada ao planeta Terra. Contudo, como toda a série “teen” que se preze (voltada ao público em sua maioria adolescente), romances melosos eram necessários e eu particularmente acho que a série pecou nisso, prolongando demais a lenga lenga entre Clark Kent e seu primeiro amor, Lana Lang. Prolongando infinitamente uma série de encontros e desencontros, desavenças e reconciliações de um casal que no final, todo mundo já sabe que não vai vingar mesmo, já que Superman é casado atualmente com Lois Lane, que só veio aparecer na série anos depois de seu início.


Sinceramente pra mim, a história paralela do jovem Lex Luthor e sua luta interna para não sucumbir a seu lado mau, foi mais legal até do que a própria história de Clark e suas origens alienígenas.. Infelizmente Michael Rosembaum, o intérprete de Lex Luthor deixou a série no final do seu 7º ano, fazendo os produtores partirem para um “embromation” só, inserindo na série um monte de personagens novos para tapar buracos e vilões que, a meu ver não deveriam nem sequer dar as caras na história antes de Clark Kent decidir se tornar Superman, como o próprio Apocalypse (Doomsday), a criatura super poderosa que matou o Super nos quadrinhos.

Bom, mas depois de 8 anos de série parece que agora a coisa vai. A chata da Lana finalmente foi embora, deixando o jovem Clark livre para sua colega de trabalho, Lois Lane. Depois de ser um babacão de aço por 8 anos, finalmente Clark aceitou sua origem Kryptoniana e está aos poucos assumindo seu lado Superman, embora na minha opinião ele esteja mais pra Matrix do que pra superman, com esse sobretudo preto invocadáço e o S azul no peito, feito com tinta guache. Bom, já é um bom começo que pode levar a um excelente desfecho.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

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Criminosos e a religião



Assim como eu gosto ou não de algumas pessoas, de alguns tipos de comidas, gosto ou não de alguns pontos de vista, também assim é com a religião.
Eu hoje me permito debater sobre religião, embora evite, pois é um assunto pela sua própria natureza, polêmico e cansativo, porque tenho uma bagagem boa referente a esse assunto. Durante toda a minha infância e pré adolescência, segui a minha mãe em todas as religiões que ela decidiu experimentar, com o intúito mesquinho de melhorar de vida monetariamente falando. Já frequentei desde igrejas católicas, até evangélicas, centros espirítas, terreiros de macumba e algumas religiões orientais. Nunca me dei realmente conta do porque, apenas seguia a minha mãe onde ela fosse. Um dos muitos males de um filho único, superprotegido e superdependente.

Bom, mas eu cresci e como todo o ser humano com um mínimo de inteligência que se preze, comecei a formar minhas próprias opiniões sobre coisas e pessoas. Não que eu goste de opiniar muito, como disse acima, mas vez ou outra solto minhas pérolas.
Das religiões que me incomodam (sim, a palavra é exatamente essa), a evangélica está em primeiro lugar. Até mesmo antes da chamada macumba. E por que? Pura e simplesmente pelo alto nível de hipocrisia de seus seguidores.
Lido com isso desde que me entendo por gente. Tenho parentes assim, tive amigos assim. Os anos passam, o mundo evolúi (embora hoje em dia ache que isso é muito relativo) e a ladaínha deles continua a mesma: "Eu estou salvo e você não está! Eu vou para o céu e você para o inferno!"

Eu até tento não generalizar nesse meu "julgamento" (sim, ouso julgar quem me julga), mas é difícil. Digo isso porque a grande maioria dessas pessoas, por mais "legais" que sejam, cedo ou tarde acabam mostrando seu lado bitolado e limitado, muitas vezes até extremente mais preconceituoso do que o de uma pessoa que não partilha da mesma crença que elas.
Não importa o tipo de conversa que se tenha, o assunto debatido ou a situação de momento, estão quase sempre buscando um espaço para fazer propaganda de sua pseudo-felicidade atribuída à graça divina. Se você reclama de uma unha encravada por exemplo, recomendam Deus para você antes mesmo de um bom podólogo.

O que eu noto muito e o que acho de grande relevância no meio dessa hipocrisia toda, é o total uso da pena mascarada de compaixão. É aquilo que já disse: "Eu amo muito você, mas infelizmente você está condenado, já que não partilha das mesmas crenças e opiniões que eu".
O interessante disso é que ao longo dos anos eles realmente não se dão conta de que o que eles sentem pelo "resto da humanidade" não é compaixão, mas sim pena. Talvez acreditar que amem alguém mais além deles mesmos e das pessoas que pensem como eles, lhes faça sentir menos párias.

Bom, mas enfim, pra que tudo isso que eu disse? Primeiramente, simplesmente porque eu quis. Tenho direito de expressar minhas opiniões da maneira que melhor me convier. Segundo, pra poder abordar o assunto do tópico: Crimonosos e religião.

Quantas vezes você já não leu ou viu na TV, ou até mesmo ouviu comentários desse ou daquele criminoso, que cometeu um crime, foi preso, conheceu Deus na cadeia e de repente transformou-se numa pessoa inteiramente nova?
Isso  pode acontecer? Sim, lógico que sim. É bom? Maravilhoso quando acontece mas, ainda assim hipócrita.
Então eu, trabalhador, dedicado, servidor dos costumes, pecador sim, mas quem não é, posso tentar ser a melhor pessoa possível, fazer mil e uma boas ações, andar na linha, mas ainda assim, pelo simples fato de não ser batizado em uma igreja evangélica ou "não conhecer a palavra de Deus", como eles costumam dizer, vou queimar nas chamas do inferno independentemente do meu caráter. Mas um assassino, estuprador de mulheres, um pedófilo maníaco, pode apesar de ter feito tudo o que fez, ser instantâneamente salvo e ter seus pecados perdoados pelo batismo no Espírito Santo. Ou as coisas são mais simples do que parecem ser ou eu realmente sou complicado pra caralho!

Há muito tempo atrás vi num desses programas evangélicos na TV um testemunho que nunca esqueci. E olha que eu era novo, imaturo, mesmo assim aquilo me marcou. Não sei ao certo se pelo teor do testemunho ou por, mesmo que inconscientemente captar a hipocrisia da coisa.
Um pastor dava seu testemunho. Alegando ser um ex pedófilo curado pela graça divina, ele relatava sua vida e contava do dia em que percebeu os pecados que vinha cometendo, graças a intervenção do Todo Poderoso.
Contou ele que a sua "cura" aconteceu certa noite, quando após uma festa na casa de um casal de amigos, foi convidado por ambos para passar a noite lá, como hóspede dos dois.
Durante a madrugada ele se levantou para ir ao banheiro e depois até a cozinha tomar um copo d'água. Feito isso, na volta pra cama sentiu-se "diabólicamente", de acordo com ele, tentado a entrar no quarto do bebê do casal. De acordo com ele, abriu a porta do quarto do bebê e o encontrou dormindo no berço, refletiu por alguns minutos sobre o ato que pretendia fazer, mas "cedendo a tentação do demônio", curvou-se sobre o berço da criança, dando-lhe um beijo na boca e introduzindo sua língua.
O interessante é que, uma vez "curado" ele fazia esse relato com a calma e a expressão de quem estava contando que foi à padaria.
Agora a melhor parte: De acordo com ele, ao beijar o bebê, ele acordou, engasgou-se com a língua de seu molestador e começou a chorar. E nesse momento, pasmem irmãos, com o pranto da criança ele percebeu o mau que estava fazendo! De repente se fez a luz! Tudo ficou claro como o dia. Ele então saiu do quarto do bebê às pressas e percebeu o quão errado vinha agindo esse tempo todo.


Bom, ou ele simplesmente não esperava que o bebê fosse despertar, assutou-se com o choro dele. Teve um cagaço dos "diabos" em ser pego em flagrante pelos pais do menino e deu o pé dali antes disso! ¬¬'


E desde então ele não molestou mais nenhum garotinho e viveu feliz para sempre na graça divina. E o melhor de tudo, com um maravilhoso bônus de acréscimo: Perdoado por Deus nosso Senhor Jesus Cristo.
Aham, tá bom então. Assim como a coragem leva você aos seus extremos e traz mudanças, a covardia tem o mesmo poder.
Bom, seja pela simples covardia ou pela graça divina mesmo, o cara se dizia curado e renascido. Se ele realmente conseguiu bom pra ele. Mas eu cá pra mim tenho dúvidas. O que eu sei é que eu não faria um teste deixando um filho meu dar uma sentadinha no colinho purificado do titio pastor.

Polêmicas, polêmicas, polêmicas. To começando realmente a gostar disso.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

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Poema do livro "O caso dos 10 negrinhos"




Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.

Nove negrinhos sem dormir; não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.

Oito negrinhos vão a Devon de charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.

Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.

Seis negrinhos de uma colméia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.

Cinco negrinhos no fotro, a tomar ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.

Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez
O arenque defumado, e então ficaram três.

Três negrinhos passeando no Zoo. E depois?
O urso abraçou um, e então ficaram dois.

Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.

Um negrinho aqui está a sós, apenas um.
Ele então se enforcou,

e não ficou nenhum.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

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Download - Tripulação de Esqueletos - Stephen King





Uma seleção das melhores histórias do início da carreira de Stephen King
Nesta coletânea de 22 contos somos apresentados ao universo que tornou Stephen King conhecido como um dos mais aclamados escritores da atualidade, as histórias de terror. Publicado originalmente em 1986, o livro revela o talento de King como criador de enredos aterrorizantes e envolventes. Os contos transitam com desenvoltura pelo mais puro horror na forma de criaturas abomináveis, passando por um terror psicológico de gelar o sangue. Tanto os fãs de longa data do escritor quanto os novos leitores irão deliciar-se com as histórias de suspense e terror desta coletânea.
O livro abre com o conto "O Nevoeiro" no qual numa cidadezinha litorânea um nevoeiro vem do mar trazendo inúmero monstros, como aranhas gigantes, polvos assassinos e aves pré-históricas. Os habitantes do local conseguem abrigo em um supermercado, onde ficam cercados pelo nevoeiro e pelos monstros que tentam a todo o momento devorá-los. A tensão cresce à medida que a possibilidade de fuga vai se extinguindo, pois os monstros matam os que tentam escapar um a um. Outro conto que merece destaque é "Sobrevivente": um médico-cirurgião é o único sobrevivente de um naufrágio e acaba em uma ilha deserta totalmente estéril. Sem alimento, a única saída para não morrer de fome é se fazer valer de suas habilidades como cirurgião e alimentar-se de pedaços de si mesmo. A narrativa se dá a partir do seu diário que vai, pouco a pouco, revelando o processo de enlouquecimento e do desespero pela sobrevivência.
Alguns contos fogem um pouco do horror habitual e apostam em um estilo divertido e agradável de se ler, como é o caso de "O Processador de Palavras dos Deuses", em que um homem descobre um computador capaz de deletar coisas da vida real e inserir outras em seu lugar. O homem decide deletar sua esposa insuportável e trazer de volta seu sobrinho preferido que inventou o tal computador, morto em um trágico acidente.
Com uma consistente seleção de histórias, o livro consegue prender a atenção do leitor com argumentos inusitados e situações de conflito bem amarradas e instigantes. Na prosa de Stephen King, os protagonistas se vêem forcados a lidar com situações fantásticas em que o que está em jogo é a sanidade diante do inimaginável. Onde termina o pesadelo e começa a realidade? Até que ponto a mente humana pode suportar o terror? Embarque nesta jornada e descubra.
Tripulação de Esqueletos faz parte da série de relançamentos, pela Editora Objetiva, das obras esgotadas de Stephen King.



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Ressentimentos



Alguma vez você já se vingou de alguém? Conseguiu se vingar legal, com gosto? Fazer a pessoa sentir na pele o que você sentiu?
"A vingança nunca é plena. Mata a alma e a envenena". Acho que a grande maioria das pessoas já ouviram essa frase do Chaves, oras, quem é que não conhece o Chaves? E essa afirmação? Você concorda?



Enquanto lição de moral ela é muito bonitinha. Cada palavra se encaixa à outra e tem sentido igual pecinhas de lego. Eu amava lego. Mas, tudo o que é "moral", tudo o que é "socialmente" moral, só por isso é correto?
Oferecer a outra face, perdoar, esquecer, são atos "socialmente" nobres. Mas nos tempos de hoje, com as pessoas de hoje, ainda aplicáveis? Vale a pena ser tão moral, em um mundo imoral?


Puritanos, otimistas e moralistas que talvez algúm dia venham a ler esse texto podem torcer o nariz. Questionar a moral social é como questionar a autoridade do Papa na igreja católica. É arrancar a casquinha de uma ferida mal cicatrizada. Polêmico até o último fio de cabelo.
Mas necessariamente, não seguir a moral é ser imoral?


Desde que passamos a nos conhecer por gente, somos instruídos do certo e do errado, isso pode e isso não pode, isso é bom e isso e mau, Deus não gosta.
Eu creio em Deus, mas não o temo. E sinceramente tenho desprezo pelos que o temem. Deus não é uma energia (sim, eu o considero uma energia) que precisa ser temida. Não faço ou deixo de fazer as coisas que quero, ou melhor, não evito cometer erros por medo de Deus, por medo de ser castigado ou ir para o inferno. Já vivi tempo suficiente para perceber que Deus não pune os seus erros, não quer nem de longe o seu mal. Mas ele permite sim que você se afogue no seu próprio veneno, que seja vítima das consequências de seus atos e de suas escolhas. Nada mais justo. Deus não tem a obrigação de proteger ninguém, de corrigir ninguém. Suas escolhas e as consequências que elas acarretam são responsabilidade apenas sua e de mais ninguém.


Partindo desse ponto, no momento então que você reconhece isso, que para cada ação existe uma reação igual ou contrária, você se sente mais livre para tomar as suas decisões, para assumir os seus conceitos do que é moral e imoral. Isso logicamente, com o uso do seu bom senso. Gosto do bom senso porque não é um conceito social e na minha opinião particular, nem tampouco moral. Bom senso é uma coisa que ou você tem ou você não tem. Quero dizer, eu sou da opinião de que você tem o direito de escolher o que é imoral ou não pra você, mas isso não significa que por exemplo, se você for um pedófilo de merda, vai sair por aí seduzindo garotinhos porque considera isso normal. Ouso dizer que considero o uso do bom senso, acima do uso da moral.


Bom, mas porque eu estou expondo tudo isso? Comecei o texto perguntando sobre a vingaça. Se é certa, errada, se vale a pena ou não.
Eu nunca me vinguei de ninguém. Não porque nunca quis, mas porque nunca pude. Nunca tive chance, nunca tive as ferramentas para tanto. Nunca vi erro na vingança ou no desejo dela. Muito pelo contrário, quando penso na vingança me vem à mente uma sensação de justiça. Por isso não consigo mesmo que me esforce, ver a vingança como vingança. Eu vejo a vingança como justiça. E justiça é equilíbrio.


Se alguém lhe estapeia a face, por que não revidar? Se lhes dizem palavras duras, por que não devolvê-las? Dor gera mais dor, mágoa gera mais mágoa, violência gera violência. Oras, cadelas tem cãezinhos e patas dão patinhos. É a natureza pura e simplesmente agindo da maneira que deve agir.
Eu acredito na justiça, eu acredito em equilíbrio, eu acredito na vingança, na utilidade que ela tem e na organização que ela gera.

Recentemente fui injustamente acusado por um amigo de quem gostava muito. Não éramos íntimos, mas durante os meus 3 anos de curso técnico saíamos algumas vezes e tínhamos uma boa relação de amizade. Ele era um cara simpático, uma companhia agradável, tinha uma boa conversa. Um rapaz muito estudioso, muito dedicado, amante de bons livros, enfim, aquele tipo de pessoa do bem com que a gente gosta de se relacionar.


Por causa da minha depressão eu tenho mudanças de humor constantes. Num dia sou muito simpático, amigo, prestativo. No outro posso estar extremamente mal humorado, grosseiro e anti-social. Para as pessoas de fora, que não vivenciam esse tipo de sentimento, passo facilmente por uma pessoa muito falsa, duas caras. Pessoas como eu, confundem os outros. E foi fazendo esse comentário que acabei me dando muito mal.


Em uma conversa que tive, não me lembro agora com quem, comentei com a pessoa que o Rodrigo (sim, o amigo que me ofendeu se chama Rodrigo), talvez me achasse um falso, devido às minhas constantes mudanças de humor. Muitas vezes nos términos de nossas conversas por MSN, eu lhe desejava boa noite, boa prova, boa sorte, tudo de bom. Contudo vez ou outra quando eu fazia isso, ele colocava na tela um daqueles emoticons com carinha de desconfiado, como se não estivesse gostando do que eu estava lhe desejando ou até mesmo duvidando da sinceridade dos votos.


Sou extremamente neurótico com esse tipo de atitude por parte dos amigos. Sou muitíssimo inseguro. Morro de medo de incomodar os aimigos. Quando algúm deles tem o tipo de atitude que o Rodrigo teve, chego a perder o sono, a fome e a minha tranquilidade. Quebrando minha cabeça pensando no que devo ter feito de errado.

Bem, no meu ponto de vista o comentário que fiz não foi nem um pouco ofensivo à pessoa do Rodrigo. Se for analisar, falei sobre mim, não sobre ele, criticando as minhas próprias mudanças de humor.
Os dias se passaram, esqueci completamente desse assunto, esqueci até mesmo com quem o comentei, tamanha era para mim a sua desimportância. Fui passando meus dias sem maiores preocupações além das minhas próprias.


Tenho uma mania besta, que é a de tentar chamar a atenção das pessoas para mim das maneiras mais infantis e idiotas póssíveis.
Acho que para evitar dizer "estou com saudades" ou "preciso de você" eu acabo agindo dessa maneira. O caso é que um belo dia, com a intenção de chamar a atenção do Rodrigo, já que estávamos conversando muito pouco devido ao fato da correria dele com o vestibular, escrevi no topo do meu MSN uma frase, tirando sarro da cidade dele, Agudos. Não fiz isso com má intenção, não quis ofender a ele nem a ninguém. Apenas achei que quando ele lesse a frase e visse que era direcionada a ele, viria então conversar comigo um pouco, mesmo que apenas para tirar satisfações do que se tratava.


Feita essa idiotice, novamente esqueci-me do assunto. Ele não notou a frase, não veio puxar conversa, os dias foram passando e eu já nem me lembrava mais disso. Até que um belo dia, novamente sentindo falta de conversar com meu amigo eu fui chama-lo no MSN:


"_E aí Rodrigo, tudo bom cara?"_eu disse.


Ele não me respondeu. Achei normal. O MSN é assim mesmo. A maioria das pessoas geralmente demoram a te responder por estarem fazendo outras coisas, então não liguei. Permaneci em silêncio por mais um tempo esperando a resposta dele.Vendo que ele estava demorando a me responder, continuei puxando assunto:


"_Bom, como foi a sua semana? A minha foi bem corrida. Fiz isso, fiz aquilo, blá blá blá..."_eu disse.


Continuei tranquilamente esperando a resposta dele. Até comecei a navegar em alguns sites enquanto esperava. Foi quando ele então me respondeu:


"_Eu acho que não te perguntei nada!"


Fiquei surpreso com a resposta, confuso. O que é que eu lhe havia feito? Por que é que ele estava me respondendo daquela maneira? Comecei desesperadamente a puxar na memória alguma coisa que eu pudesse ter lhe feito para que se ofendesse. Não encontrei nada.


"_Rodrigo, o que aconetceu? O que foi que eu fiz?"_perguntei confuso.


"_Nada!"_ele respondeu.


Cara, se tem uma coisa que eu odeio, realmente odeio é quando você sabe que a pessoa está brava com você, ela está demosntrando isso claramente pra você, mas quando você pergunta se há algo errado ela diz que não. Acho isso sem sentido, para não dizer infantil. Continuei perguntando:


"_Me fala Rodrigo, o que foi que aconteceu? O que foi que eu te fiz?"


Ele continuou insistindo na resposta:


"_Nada de errado!"


Com a insistência ilógica dele, comecei a perder a paciência também:


"_Ah Rodrigo, conta outra. Me conta logo o que é que eu fiz de errado!"


Ele então finalmente disse:


"_O que é que você anda falando de mim por aí para os outros!"


Eu realmente fiquei surpreso. Comecei a puxar na memória novamente, tentando me lembrar se tinha dito algo. Não conseguia me lembrar de nada. Então respondi:


"_Eeeeuuu? Quando?"


Ele prosseguiu:


"_Você anda espalhando pra todo mundo por aí, pra todos os nossos amigos, que eu te acho um falso! Inclusive fica mandando mensagens de celular pra todo mundo dizendo isso!"


Lembrei-me então do comentário que havia feito muitos dias atrás. Quanto às mensagens de celular, eu havia mandando apenas uma, para um único amigo. Não estava fazendo disso uma coisa "viral" como ele estava me acusando. Ele continuou:


"_E essa frase no seu MSN? O que está acontecendo? Tá direcionada a mim. Por que você está fazendo isso?"


Fiquei pasmo com a reação dele. Ele que sempre foi calmo, pacato, amigo, estava tendo comigo uma reação extremamente hostil.
Comecei então, já meio magoado a me justificar. Expliquei para ele que não fiz o comentário por mal. Tentei mostrar pra ele que o que eu disse se referia mais a mim do que a ele. Quando a frase do MSN, tentei de todos os jeitos lhe explicar que aquilo era apenas uma brincadeira boba para lhe chamar a atenção. Mas por mais que eu me justificasse ele estava irredutível:


"_Vou sair, tenho que estudar, dá licença!"_ele disse.


Naquela noite não consegui dormir. Estava determinado a continuar a conversa com ele no dia seguinte e esclarecer tudo. Não tive em momento algúm a intenção de ofende-lo e ele estava soltando cachorros em cima de mim que a meu ver eu não merecia. No dia seguinte nos encontramos novamente no MSN, continuei a conversa ainda tentando convence-lo de que tudo não passou de um mal entendido. A certa altura ele então disse:


"_Por que é que você está fazendo isso comigo Eduardo? Isso que você está fazendo comigo tem nome: É perseguição! Você está me perseguindo. E ainda por cima sem motivo nenhum!"


Ao ler isso, meu chão desapareceu. O que é que ele estava falando? Que diabos era aquilo? Do que é que ele estava me acusando? Minha cabeça simplesmente entrou em parafusos. Perseguindo? Eu, o perseguindo? Que absurdo era aquele? O que é que estava se passando na cabeça dele? Eu nunca fiz algo semelhante, nunca lhe dei motivos.Sim, fui grosseiro algumas vezes, mas sempre lhe pedi desculpas depois, sempre me arrependi nas vezes em que, por causa da minha depressão e do meu mal humor, magoei os meus amigos. Mas daí a perseguir alguém? Meu Deus! Eu estava simplesmente perplexo com a acusação dele.

Pasmo, ainda fiquei, agora muito revoltado e magoado, tentando convence-lo de que tudo não passou de um mal entendido, falando pra ele o quanto ele estava sendo injusto comigo e em como eu o considerava um bom amigo. Contudo ele parecia irredutível em sua decisão de me atacar.
Depois de um tempo, inutilmente tentando me justificar, comecei a ficar realmente muito magoado e muito irado com a incrível intolerância e falta de compreensão que ele vinha demostrando. Então eu disse:


"_Olha Rodrigo, tudo bem então. É isso mesmo que você acha de mim? Então façamos o seguinte: Em que horário você vai ao seu cursinho na segunda feira? Leve todas as minhas coisas que estão com você, eu levarei as suas e não se fala mais nisso, não precisaremos nos ver ou conversar nunca mais."


"_Tá bem."_ele respondeu.


Na segunda feira fui até a UNESP, no cursinho para encontrá-lo. Peguei minhas coisas de volta com ele, sem dizer uma única palavra e nem olhar na cara dele. Ele balbuciou uma ou duas palavras, mas eu ignorei. Virei-me e fui embora.Fiquei extremamente magoado com a atitude dele. Mortalmente ofendido e porque não dizer, furioso. Eu não merecia isso. Nada do que fiz foi para ofende-lo ou persegui-lo, como ele me acusou tão erroneamente.


Hoje, não nos falamos mais. cansei de me humilhar implorando de volta a amizade de amigos escrotos que não me merecem. Que se acham isentos de erros e já tão maduros, como é o caso do Rodrigo e do Ricardo também. Eles que se diziam tão meus amigos até hoje não me procuraram novamente. Com certeza porque acham que não cometeram erro nenhum comigo, que foi justamente o contrário. Acham que quem tem a obrigação de voltar humildemente implorando a amizade de volta sou eu. Descobri depois desses "incidentes", que jamais fiz falta alguma para ambos.


Mas, então é assim? Terminou? Acabou desse jeito? Com eles saindo por cima e eu humilhado, abandonado, injustamente acusado e julgado?
A ética, a moral, os bons costumes sociais dizem que eu devo ignorá-los, seguir com a minha vida, afinal eles me provaram que não merecem a minha amizade. Pela lógica, ignorá-los e seguir em frente seria a opção mais madura e até mesmo uma saída superior.


Mas, é justo?


No começo do texto especifiquei minha visão de justiça. Justiça é equilíbrio. Mas há equilíbrio no que os dois me fizeram?
Me julgaram, me criticaram, me acusaram e tudo fica por isso? Sem uma retratação, sem pedidos de desculpas da parte de nenhum dos dois? Sem justiça? Sem equilíbrio? Sem vingança? Com os dois saindo disso superiores, como as vítimas da história? Oras, chega a me ferver o sangue pensar nessa possibilidade!


Não sei quando vou me vingar de ambos, não sei nem se um dia vou realmente me vingar. Talvez um dia eu realmente concorde com a maioria e veja que realmente não vale a pena. Que lixo deve ser jogado fora e não guardado. Mas até esse dia chegar, meu coração está apertado, o meu estômago queima e os meus pensamentos estão somente nos dois e nos seus passos.


Se alguns estiverem certos e eu realmente estiver destinado a queimar no inferno pelos meus atos, então posso garantir que não sei quando nem onde, mas o que é deles está guardado. Esperando na escuridão e na amargura do meu coração.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

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Sobre decepções, mágoas e desencantos

Agora no mês de outubro se completarão exatos 10 meses desde que eu cortei relações com a pessoa que cheguei a considerar um dos meus melhores amigos, Ricardo.
Sofro de depressão, a qual infelizmente devo ter herdado da minha mãe e, um dos diversos sintomas dela é a minha extrema carência afetiva. Isso desde a infância.
Por causa dessa 
carência, toda vez que faço um amigo de

Divague comigo